Por Geovane Viana – Economista
A economia brasileira vem demonstrando sinais consistentes de estabilidade e crescimento, contrariando previsões mais alarmistas. Os dados mostram que, apesar das dificuldades que continuam afetando o cotidiano da maioria da população, há avanços importantes em curso. E, para quem vive e empreende no Sudoeste da Bahia, é possível perceber isso de forma concreta em várias frentes.
Os números de emprego melhoraram, a inflação vem sendo controlada, e programas sociais como o Bolsa Família passaram por reformulações que ampliaram seu alcance e impacto. Isso fortalece a renda das famílias e movimenta o comércio de bairro, os mercadinhos, os ambulantes, as costureiras, os barbeiros, o pequeno produtor. É a base da economia local ganhando um pouco mais de oxigênio.
Além disso, investimentos estruturantes voltaram a ter protagonismo. O novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), retomado pelo governo federal, contempla obras em infraestrutura, saneamento, habitação e mobilidade urbana em diversas regiões da Bahia. Embora muitos desses projetos ainda estejam em fase de planejamento ou início de execução, sua perspectiva já representa expectativa de geração de empregos e dinamismo econômico nos próximos anos.
Em Vitória da Conquista, destacam-se obras públicas na área de habitação popular, requalificação de vias e novas escolas estaduais. O aeroporto Glauber Rocha, inaugurado em 2019, também contribuiu para mudar o perfil da cidade, atraindo mais negócios, turismo e eventos de médio porte, o que amplia a circulação de pessoas e de recursos. Ainda que não se fale oficialmente em ampliação, sua presença já gera impactos perceptíveis na economia regional.
O Governo da Bahia tem contribuído com algumas ações pontuais. Projetos como o novo Hospital Afrânio Peixoto e a ampliação de escolas em tempo integral oferecem reforço nas áreas de saúde e educação. A recuperação de estradas estaduais também facilita o escoamento da produção agrícola e o acesso aos polos comerciais. Falta, no entanto, mais capilaridade e regularidade nessas ações para que os benefícios cheguem com mais força ao interior.
A realização dos grandes eventos culturais da região – como o São João, o Festival de Inverno Bahia e festas tradicionais nos municípios vizinhos – vem se fortalecendo nos últimos anos. Depois da pausa forçada durante a pandemia, eles retomaram espaço e agora ganham novos formatos, maior investimento e mais visibilidade. Isso aquece a economia local de forma concreta: gera oportunidades para comerciantes, produtores culturais, músicos, ambulantes, prestadores de serviços e donos de bares e pousadas. São momentos em que a cultura e a economia caminham juntas, movimentando toda a cadeia produtiva e reforçando a identidade regional.
Mesmo com esses sinais positivos, é necessário reconhecer: a vida continua difícil para muitas famílias. Os preços seguem elevados, o crédito é limitado e o transporte público em cidades como Conquista carece de melhorias estruturais. A juventude ainda enfrenta barreiras para entrar no mercado de trabalho. Quem empreende por necessidade frequentemente caminha sem apoio técnico ou acesso facilitado a crédito.
A economia solidária tem sido uma alternativa importante. Cooperativas, redes de troca e iniciativas autogestionárias mostram que é possível empreender com base em princípios de colaboração e sustentabilidade. Mas essas práticas ainda precisam de mais incentivo, visibilidade e políticas públicas que reconheçam seu papel estratégico no desenvolvimento regional.
Cabe então uma reflexão: a economia está reagindo. Melhorou, sim. Mas não para todo mundo, e nem com a velocidade que se gostaria. Como dizia Paulo Freire, “é preciso ler o mundo para poder transformá-lo”. E essa leitura deve partir da experiência concreta: lembrar como era a vida há cinco, dez anos, e avaliar de forma crítica se o presente, apesar de suas dificuldades, representa um avanço ou não.
O Sudoeste da Bahia segue sendo um território de força produtiva, criatividade e resistência. Vitória da Conquista, como polo regional, tem papel fundamental nesse cenário. Mas o desenvolvimento só será completo quando for também distribuído, justo e conectado com as necessidades reais de quem está na base.
A economia voltou a girar. Agora é preciso garantir que ninguém fique para trás — e que todos tenham espaço nessa roda.
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Geovane Viana é Economista graduado pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia com especializações nas áreas de Gestão Pública e Empreendedorismo e graduando em Filosofia pela mesma instituição. Além disso, é servidor público concursado da Prefeitura de Vitória da Conquista, com foco de atuação no empreendedorismo e na Economia Solidária.
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