Por Ubiratan Félix
Cumprimentos: Ilustríssimos colegas da mesa, senhor Reitor da UEFS, caros formandos, senhoras e senhores:
Para mim, é um privilégio ter sido escolhido patrono desta turma.
Este é um momento festivo, mas também de reflexão.
Se eu fosse escolhido patrono de uma turma de direito, talvez eu falasse a importância da justiça e não apenas do cumprimento da lei. Se eu fosse escolhido patrono de uma turma de medicina, talvez eu falasse das dificuldades do médico em conciliar o progresso cientifico com os limites éticos que garanta o respeito a vida, as crenças e a cultura de cada ser humano. Mas como sou patrono de uma turma de Engenheiros, vou falar da importância do Engenheiro para o desenvolvimento do Brasil.
O Brasil é um grande exportador de alimentos, apenas para exemplificar:
- O segundo exportador de soja;
- O primeiro exportador de carne “in natura”;
- Grande exportador de amêndoas de cacau;
- Minérios de ferro e de diversos outros produtos não elaborados, que os economistas e financistas denominam “Commodities”.
Infelizmente não somos grandes exportadores de produtos finais e elaborados. O Brasil exporta amêndoas de cacau e consome chocolate suíço, que com agregação da tecnologia (o saber fazer) dos suíços e tem valor de mercado 150 vezes maior do que o produto não elaborado exportado pelo Brasil (amêndoa de cacau). Logo, para consumir 200 gramas de um bom chocolate suíço, temos de exportar 30 toneladas de amêndoas de Cacau.
Para dar outros exemplos: em média 1 kg de soja custa US$ 0,10 (dez centavos de dólar); 1kg de automóvel custa US$ 10,00 isto é, 100 vezes mais; 1kg de aparelho eletrônico custa US$ 100,00; 1kg de avião custa US$1.000,00 (10mil quilos de soja); e 1kg de satélite custa US$ 50.000,00.
Quanto mais tecnologia agregada a um produto, maior é o seu preço e mais empregos são gerados na sua fabricação.
Os Chineses, Europeus, Americanos e Indianos sabem disso, e por este motivo investem na pesquisa científica e tecnológica. Eles nos vendem uma placa de computador que pesa 100g por US$ 250 e para importarmos esta mesma plaquinha eletrônica precisamos exportar 20 toneladas de minério de ferro.
Para mudarmos este quadro, precisamos de conhecimento e tecnologia, já que temos abundância de recursos naturais e energia. E quem desenvolve tecnologia são os cientistas e os engenheiros, como estes jovens que estão se formando hoje.
Infelizmente o Brasil é muito dependente da tecnologia externa. Quando fabricamos bens com alta tecnologia, fazemos apenas a parte final da produção. Por exemplo: o Brasil produz 20 milhões de aparelhos celulares por ano, mas o que nos coube na divisão internacional do trabalho é de montar os “kits eletrônicos”, nenhuma empresa brasileira projeta o “miolo” do telefone celular, da TV digital e dos demais aparelhos eletrônicos.Todo são importados.
É importante compreendermos que os países “donos” do conhecimento cientifico e tecnológico são os detentores das decisões econômicas, do dinheiro, do poderio militar e das riquezas do mundo.
A dependência científica e tecnológica acarretou para nós brasileiros a dependência econômica, política e cultural. Não podemos admitir a continuação dessa situação esdrúxula, onde 70% do PIB brasileiro é controlado por não residentes.
Eu tenho a convicção de que apenas desenvolvimento científico e tecnológico, garantirá a soberania nacional e a inclusão social.O curso de Engenharia da UEFS, com todas as suas possíveis deficiências, visa formar engenheiros capazes de desenvolver tecnologias. Infelizmente, o mercado nacional nem sempre aproveita todo esse potencial científico dos nossos engenheiros.
Nós professores, não podemos nos curvar às deformações do mercado. Temos que continuar formando engenheiros com conhecimentos equiparados aos melhores do mundo.
Eu posso garantir a todos os presentes, principalmente aos pais, que qualquer um destes novos profissionais é tão ou mais inteligente do que qualquer engenheiro americano, japonês ou alemão.
O engenheiro brasileiro tem uma grande capacidade de adaptação, criatividade e “improvisação“, no bom sentido da palavra, pois mesmo em face das dificuldades que encontramos em nossas instituições de ensino, no mercado de trabalho e na falta de recursos para desenvolvimento cientifico e tecnológico e etc, ainda assim nossos profissionais conseguem ser “Mestres e Doutores“ na superação de obstáculos e dificuldades.
Finalmente, gostaria de parabenizar todos os pais pela contribuição positiva que deram à nossa sociedade, possibilitando a formação dos seus filhos no curso de engenharia da UEFS. E dizer que todos vocês são vencedores, pois apenas uma pequena parcela da nossa sociedade atinge a universidade (20 % dos concluintes do ensino médio), uma parcela menor ainda opta pelos cursos tecnológicos (2% dos concluintes do ensino médio) e uma parcela quase insignificante consegue concluir os cursos de base tecnológica (0,8% dos concluintes do ensino médio).
No Brasil são formados anualmente 30.000 profissionais da engenharia, no Japão 200.000, na Corea do Sul 150.000, na Índia 250.000 e na China 600.000. Estes números denotam o porquê de o Brasil ser apenas um mero importador de tecnologia, enquanto esses países são atualmente base de desenvolvimento tecnológico. Neste momento importante da vida de vocês e do Brasil, é fundamental reafirmamos o nosso Compromisso Com A Engenharia e Com o Brasil.
Sinto-me honrado e alegre de tê-los como colegas!
Muito Obrigado!
Engenheiro Civil Professor do IFET Ubiratan Félix Pereira dos Santos
Presidente Licenciado do SENGE-BA
Secretário de Infraestrutura, Transporte e Trânsito de Vitoria da Conquista
