Foto: Glauber Braga durante oitiva no Conselho de Ética – Fonte: Agência Câmara de Notícias
O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) está em greve de fome desde a última quarta-feira (10), em protesto contra o processo que pode levar à cassação de seu mandato. A ação, que ocorre dentro da Câmara dos Deputados, tem ganhado repercussão nacional e mobilizado lideranças políticas e movimentos sociais.
Glauber é acusado de quebra de decoro parlamentar após um desentendimento com um militante do Movimento Brasil Livre (MBL), em 2024. Segundo ele, houve provocação deliberada, e sua reação está sendo usada como justificativa para um processo que considera desproporcional. O PSOL sustenta que se trata de um processo politicamente motivado, principalmente por sua atuação crítica e denúncias relacionadas ao chamado “orçamento secreto”.
Durante o protesto, o parlamentar tem ingerido apenas líquidos e segue sob acompanhamento médico. Mesmo debilitado, continua recebendo visitas, concedendo entrevistas e usando as redes sociais para ampliar sua denúncia. Em vídeo recente, afirmou: “Não é só sobre mim. É sobre como as vozes críticas estão sendo perseguidas dentro do Parlamento.”
No sábado (12), Glauber recebeu o apoio direto de figuras importantes da política nacional. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) estiveram com ele. Gleisi classificou o processo como injusto, e Lindbergh afirmou estar articulando com parlamentares de diferentes partidos para impedir a cassação.
Organizações sociais e sindicais também se posicionaram. O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (SEPE-RJ) emitiu nota de apoio, destacando a importância da atuação combativa de Glauber e alertando para o risco de criminalização da atividade parlamentar crítica.
O caso ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se aprovado, seguirá para votação no plenário da Câmara. Até lá, Glauber segue firme na greve, com o objetivo de transformar seu protesto em símbolo de resistência política.
Mais do que uma disputa pessoal, o caso chama atenção para os limites da atuação parlamentar, o uso de instrumentos disciplinares e os desafios enfrentados por quem se posiciona de forma contundente dentro do Congresso Nacional.
