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Juca Ferreira assume o Ministério da Cultura

Ao desembarcar, nesta quarta-feira (30), às 20h30, em Brasília, o secretário executivo Juca Ferreira concedeu a primeira entrevista depois de saber que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acolheu sugestão do seu nome para o comando do ministério, feita pelo ministro demissionário Gilberto Gil. Juca falou pelo telefone, com o Correio da Bahia, sobre os seus planos, prioridades para atender os setores que precisam de mais atenção do Minc.

Na conversa sobre o desempenho do ministério, ele demonstrou bom humor e senso crítico. Acompanhe os trechos mais importantes da entrevista à jornalista Lenilde Pacheco.

Correio: Depois de seis anos como secretário executivo do Ministério da Cultura, o senhor conhece os pontos fracos e fortes da máquina que passa a dirigir agora. O que é difícil de fazer em dois anos? O ministério já foi questionado sobre a forma de conduzir as mudança da Lei Rouanet, por exemplo.  

Juca Ferreira:Nada é impossível, embora toda transformação seja difícil. Para mudar é preciso eliminar privilégios, pôr fim a comportamentos automatizados e ao conservadorismo. Nós já conseguimos fazer isso nos últimos anos e vamos prosseguir, ampliando o diálogo para resolver questões como a mudança da Lei Rouanet.

CB – Qual será a sua tática de atuação?
Não acredito em política pública de gabinete. Sempre privilegiamos as ações conduzidas sob a luz do sol, em ambiente aberto, onde a troca de idéias flui. Daremos continuidade a essa forma de atuação, criando novos movimentos.

CB – Quais são os segmentos prioritários na sua opinião e nos quais investirá suas energias com maior vigor?
Acho que podemos investir mais nas artes. Podemos criar mecanismos que contribuam para fortalecer a música erudita, a literatura e a língua portuguesa. Para isso, vai ser preciso manter o mesmo ritmo de trabalho que o ministério tinha com Gil. Muito trabalho e muito esforço porque não existem condições reais para o Brasil enfrentar os desafios do século XXI sem uma política cultural sólida.

CB – Como o senhor pretende investir mais nas artes?
A Funarte tem um orçamento muito pequeno. O caminho, neste caso, é fortalecê-la por meio da Lei Rouanet, de incentivo à cultura. Com a escassez de recursos atual, a Funarte tem atuação restrita.

CB – Quando será a posse como ministro? 
Devo permanecer como interino até o retorno do presidente que fará viagem à China. Eu já vinha atuando interinamente durante a gestão de Gil, que deu luz a este ministério. Ele mostrou que cultura é uma necessidade básica como comida. O presidente Lula quer a continuidade deste trabalho porque acredita nas políticas públicas conduzidas pelo Ministério da Cultura.

CB – Alguma mudança previsível desde já?
Não. Gil continua como referência importante para este grupo de trabalho e vou consultá-lo sempre que houver necessidade. A única mudança prática é que eu sou tímido. Em determinadas situações, as pessoas já estavam acostumadas a tirar o ministro Gilberto Gil para dançar e ele não vê problema nisso. Agora, os participantes de reuniões que terminam com música, não poderão dançar com o ministro.

CB – Isso é um aviso?
Eu sou tímido. Peço que não me tirem para dançar.

CB – Como soube da definição pelo seu nome?
Estou retornando de viagem à Bolívia, onde estive na condição de ministro interino, para participar do Encontro de Intelectuais e Artistas do Mundo pela Unidade e Soberania daquele país. Há poucos minutos, quando desembarquei em Brasília, liguei para o ministério e eles me informaram que o presidente da República aceitou a indicação do meu nome. Como estou conversando com você, espero que a informação seja verdadeira (risos).

CB – Há algum tempo este acontecimento era previsto. Apenas não havia certeza de quem seria o sucessor, concorda? E foram muitas articulações.
De fato, houve especulação sobre o assunto. Mas quando telefonei, há pouco, para o ministério, me disseram: você é o substituto do ministro Gilberto Gil. O presidente aceitou.

 

Fonte: ibahia.com

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