Por Geovane Viana
A Bahia se prepara para uma das eleições mais disputadas dos últimos tempos. Tradicionalmente um reduto da direita, nos últimos anos tem sido comandada pelo PT e seus aliados. Em 2026, o estado será palco de uma intensa disputa pelo governo e pelo Senado, com um cenário ainda indefinido. A gestão do governador Jerônimo Rodrigues será um fator determinante nessa corrida, enquanto a oposição tenta reorganizar-se para desafiar a hegemonia petista.
O desempenho de Jerônimo Rodrigues e os desafios do governo
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) enfrentará a avaliação do eleitorado, que demonstra sinais de divisão. O sucesso de sua gestão dependerá da capacidade de entregar resultados concretos em áreas essenciais como infraestrutura, políticas sociais e desenvolvimento econômico.
- Infraestrutura: Projetos como a ponte Salvador-Itaparica e a ampliação do metrô da capital são estratégicos para fortalecer a imagem do governo. Além disso, melhorias nas estradas e no transporte público podem fazer a diferença, principalmente para o interior do estado, onde o escoamento da produção agrícola e a mobilidade urbana ainda são desafios.
- Políticas sociais: A ampliação da rede de saúde, a valorização dos professores e a melhoria da segurança pública são fatores que podem garantir apoio ao governo. O acesso à saúde e educação no interior são questões frequentemente cobradas pela população.
- Desenvolvimento econômico: O incentivo à economia solidária e criativa, o apoio à agricultura familiar e a atração de investimentos são temas essenciais. O sudoeste baiano, por exemplo, tem grande potencial para o fortalecimento de pequenos empreendimentos e cooperativas, setores que poderiam ser mais bem explorados pelo governo.
Movimentações da Oposição
A oposição trabalha para consolidar um nome forte para o governo. ACM Neto (União Brasil) segue como a principal liderança do grupo, mas há articulações em torno de outros nomes. João Roma (PL), ex-ministro do governo Bolsonaro, pode ser novamente uma alternativa para o eleitorado mais alinhado à direita. Outras lideranças do União Brasil e do PP também são cogitadas, buscando construir um palanque competitivo contra o PT.
A polarização nacional pode influenciar a disputa, mas o eleitor baiano tem demonstrado um olhar mais crítico para a política estadual, cobrando soluções práticas para os problemas locais.
O Senado: uma disputa estratégica

Foto: Henrique Raynal | Casa Civil
Além do governo estadual, a eleição para o Senado promete ser um embate de peso. A Bahia terá apenas uma vaga em disputa, o que acirra ainda mais a competição. O ex-governador Rui Costa (PT), atual ministro do governo Lula, surge como um dos principais nomes cotados para a disputa. Seu eventual retorno ao estado como senador fortaleceria ainda mais o projeto político petista na Bahia e consolidaria um elo direto com o governo federal.
O Senado tem sido um espaço estratégico para a política baiana, funcionando como um canal de interlocução direta com Brasília. Para o governo estadual, garantir uma cadeira no Senado significa fortalecer articulações para investimentos e projetos prioritários. Já para a oposição, conquistar essa vaga representaria um avanço significativo no equilíbrio de forças políticas do estado.
O interior da Bahia e seu peso na eleição
Além da capital, cidades estratégicas do interior terão um papel decisivo no cenário eleitoral. Feira de Santana, o segundo maior município do estado, é um reduto eleitoral fundamental, com histórico de alternância entre grupos políticos. Vitória da Conquista, terceiro maior município, também terá peso na definição do pleito, com demandas voltadas para infraestrutura urbana, fortalecimento do comércio local, incentivo à economia solidária e criativa e melhorias no transporte público. Juazeiro e Itabuna, com economias dinâmicas e setores produtivos fortes, também devem ser foco de atenção dos candidatos.

Análise crítica
O cenário para 2026 apresenta desafios significativos para todas as forças políticas da Bahia. A oposição precisa mais do que apenas um nome forte para concorrer; precisa de um projeto consistente que dialogue com as necessidades do estado. Já o governo Jerônimo Rodrigues tem a vantagem da máquina pública e do legado petista, mas precisa demonstrar eficiência na execução de políticas públicas para consolidar seu grupo no poder. O interior do estado, que historicamente tem peso decisivo nas eleições, será um campo de disputa intensa. O eleitor baiano, cada vez mais crítico, exigirá propostas concretas e resultados palpáveis.
